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Liberte-se dos traumas

Vivências traumáticas prejudicam amplamente a qualidade de vida, mas, felizmente, é possível tratá-las com métodos rápidos e eficazes, como o EMDR e experiência somática, técnicas cada vez mais utilizadas pelos especialistas

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[legenda=Antônio Teixeira: o trauma interrompe o fluxo normal da vida]Você costuma passar por situações diante das quais reage de forma indesejada? A entrevista de emprego que não foi bem-sucedida por causa da vergonha; a dificuldade de se apresentar em público; o medo de executar atividades cotidianas, como dirigir; o receio em se entregar nos relacionamentos. Esses comportamentos, bem como muitos outros, podem estar relacionados à vivência de um trauma. Muitas vezes, essas informações estão registradas no inconsciente e influenciam na maneira de agir.


A palavra trauma designa todo tipo de agressão violenta. Originária do grego, significa quebra ou interrupção. Antônio Ricardo Teixeira, psicólogo clínico e diretor da Somática Psicoterapia Corporal Integrativa, explica que a experiência agressiva se torna trauma quando interrompe o fluxo de vida normal da pessoa e, mesmo com o passar do tempo, ela não consegue se reintegrar ao habitual. A agressão, seja ela física ou verbal, deixa seus registros no corpo.


Por instinto natural, o ser humano tende a esconder suas feridas para se sentir protegido. Contudo, há um comprometimento na qualidade de vida. “Pais que estão sempre brigando um com o outro, ou mesmo com o filho, deixam a criança com medo. Futuramente, ela pode projetar esse medo em outros relacionamentos, mesmo que não tenha consciência disso”, exemplifica Antônio Teixeira. “Por outro lado, se os pais desempenham sua função protetora, a criança passa a confiar neles e, por ter um referencial, consegue confiar em si mesma”, complementa.

[legenda=Com o tratamento adequado, o paciente liberta-se do “peso” emocional do trauma, obtendo qualidade de vida]

Consequências do trauma

 

[legenda=Lydia Joffily: um novo significado a experiências traumáticas]As tensões originadas pelo estresse que o organismo vive após uma situação traumática ficam armazenadas no sistema muscular e no sistema nervoso. Qualquer pessoa que passou por uma vivência traumática vai apresentar um certo nível de estresse. Contudo, há quem desenvolva isso de uma maneira muito mais profunda, caracterizando o chamado transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), comum, por exemplo, em vítimas de sequestro-relâmpago. Nesse caso, o estresse pós-trauma permanece por mais de três meses e, em alguns casos, surge somente muito tempo depois. A patologia é acompanhada de sintomas, como a repetição constante de imagens ou pesadelos, a raiva e irritabilidade excessiva, a não-aceitação da ocorrência do trauma, entre outros. Fobias, depressão, dores crônicas, tensões musculares e fibromialgia podem também estar relacionadas a experiências traumáticas.


Tratamento
A psicoterapeuta corporal Lydia Joffily diz que, antigamente, havia uma grande preocupação em evitar o trauma não apenas por suas consequências, mas também porque acreditava-se não ser possível tratá-lo. Hoje, felizmente, existem técnicas específicas para sanar o problema. Contudo, segundo Joffily, o tratamento não implica em apagar a experiência da mente. “Se o trauma não for tratado, lembrar da experiência significa revivê-la. Por isso, ao contar ou recordar a situação, a pessoa chora, sente desespero, incômodo, angústia. Ao longo do tratamento, aos poucos, essa experiência ganha um novo significado, até não mais prejudicar o paciente”, explica a psicóloga.


Duas técnicas vêm se mostrando muito eficazes no tratamento de traumas: dessensibilização e reprocessamento através de movimentos oculares (EMDR) e experiência somática (SE).


O EMDR permite a estimulação bilateral do cérebro, fazendo com que a experiência traumática seja reprocessada. Já a experiência somática é focada na fisiologia, de forma a “descongelar” e liberar as sensações presas e armazenadas no corpo. Isso permite um livre fluxo energético, melhorando todo o equilíbrio, bem como as emoções do paciente. Em muitos casos, é possível obter, com esses tratamentos, resultados em curto prazo.

Colaborou a estagiária Vanessa Vieira

 

 

Mudança de atitude

Muitas vezes, a experiência fica tão dissociada que é difícil de resgatá-la na memória. Foi assim com Renato Freitas dos Santos, 31 anos, analista de segurança de informática. Ele conta que o choro de seu filho quando bebê o irritava profundamente, mas não entendia por que sentia raiva ao ouvi-lo chorar. “Recordei-me de que, na infância, quando ainda morávamos em uma fazenda no interior, as cachorras tinham muitos filhotes. Como não podíamos manter todos, nosso avô nos mandava afogá-los”, recorda. O choro dos cães na água ficou no seu inconsciente e essa experiência servia de associação para o que vivia com o filho. Uma vez identificado o trauma, foi possível trazer um novo significado à experiência. “Foi muito importante identificar por que agia assim. Depois disso, consegui mudar de atitude”, pontua.


Para a estudante Marta Vieira da Silveira, 17, o tratamento foi decisivo para enfrentar a timidez. “Na escola em que estudava, era obrigatória a apresentação de teatro. Eu sempre me prejudicava, porque não conseguia ficar tranquila e não tinha boa desenvoltura”, relata. Segundo a estudante, o uso do EMDR a ajudou bastante a superar a timidez e ansiedade. “Sempre gostei de dança. Hoje, faço minhas apresentações com muito mais tranquilidade. Recomendo a todos que façam terapia, porque é uma forma de se conhecer melhor”, finaliza.


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