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Profissões totalmente inusitadas

Você já pensou em ser marido de aluguel, sexador de pintinhos, cupido profissional, limpador de óculos de sol na praia, modelo vivo, ou personal trainer dos olhos? Pois é. Essas profissões fora do comum existem e garantem o ganha-pão de muita gente

Tamanho da Fonte     NATASHA DAL MOLIN
nrosa@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Comunidade VIP

[legenda=A ortoptista Marilene Almeida utiliza o sinoptóforo, para ajudar no trabalho da musculatura ocular: “Sou como uma ‘fisioterapeuta’ dos olhos”][credito=Fotos: Mary Leal]“O que você quer ser quando crescer?”. Esta, talvez, seja uma das perguntas mais recorrentes na infância. Geralmente, imagina-se as profissões mais comuns, como médico, arquiteto, empresário, advogado, professor ou até servidor público. Mas a lista é muito mais extensa. O Ministério do Trabalho revelou, em 2007, na Classificação Brasileira de Ocupações, um total de 2.422 atividades profissionais. Entre elas, destacam-se, por exemplo, o designer de depilação íntima – profissional capaz de fazer a depilação e contorno em formato de coração, estrela ou lua. Em tempos de personal-tudo, há o personal friend, que ganha para sair para lanchar e conversar com homens e mulheres. Nas granjas, o sexador de pintinhos recebe um bom salário para diferenciar os machos das fêmeas. Conheça, a seguir, outras profissões que, talvez, você jamais imaginou que existissem.

Personal trainer dos olhos

Sabia que movimentar os músculos dos olhos é fundamental para uma boa saúde ocular? É com isso que trabalha, há mais de trinta anos, a mineira residente em Brasília, Marilene Guimarães Almeida. Ela foi a primeira ortoptista da capital federal, atendendo inicialmente no Hospital de Base e, hoje, está na Clinosul. “Ortóptica é uma palavra de origem grega, que quer dizer olhos corretos”, ensina. Ela conta que, muitas vezes, quando diz a profissão, algumas pessoas logo franzem a testa ou ainda confundem com outras de nome parecido, como a ortopedia. “Eu sou como uma ‘fisioterapeuta’ dos olhos”, compara Marilene, que fez curso técnico no Rio de Janeiro em ortóptica.


A profissão, que cuida da visão binocular, ou seja, dos dois olhos em conjunto, é milenar. Ela não é uma especialização da oftalmologia e nem da fisioterapia. “Esse é um conhecimento muito antigo, que nasceu na Grécia”, esclarece. “Desde aquela época, as técnicas eram simples e muito eficazes. Quando a criança nascia estrábica, os gregos tinham o costume de tapar o olho bom, aquele fixante, para que o olho preguiçoso se forçasse a trabalhar”. A técnica é realizada até hoje, segundo a ortoptista. “Se o indivíduo tiver estrabismo nos dois olhos, a gente tampa um por dia, para estimular o trabalho dos dois. Se é em um só, a gente tampa o bom. Isso serve não só para pessoas estrábicas, como para as que identificam qual olho trabalha mais”, complementa.


O exame é indolor e é procurado principalmente por pais que levam os filhos em idade escolar, assim como por idosos, apesar de ser indicado para qualquer faixa etária. Com o exercício da musculatura ocular, a pessoa ganha mais agilidade, reflexo, poder de concentração e aumento na memória visual, segundo a especialista. “Em contrapartida, se a musculatura estiver flácida, o indivíduo pode sentir enxaquecas terríveis e até vir a se machucar por falta de agilidade na visão”, argumenta.


Como recomendação geral, ela indica movimentos simples, como olhar para a esquerda e para a direita, sem desviar o rosto, apenas com os olhos, assim como movimentos para baixo e para o alto e, ainda, para o centro, na ponta do nariz, e para longe, no horizonte. No consultório, o tratamento é feito em um aparelho de nome e aparência estranhas: o sinoptóforo.


Cupido profissional para unir corações

[legenda=Edson ajuda pessoas a encontrarem seu par em sua agência matrimonial]

Todo mundo, alguma vez na vida, já se sentiu fisgado pelas flechas do cupido. Mas, em Brasília, ele não é bem aquele tipo rechonchudinho de olhos claros, cabelos encaracolados e pele de bebê. Edson Vitor de Souza, 32 anos, era militar do Exército, mas decidiu virar cupido profissional há 16 anos e hoje ganha a vida com essa profissão, tendo a ajuda providencial de sua esposa, com quem está casado há 14 anos.


Vindo do Paraná, ele sentia dificuldades em conhecer novas pessoas na capital, um problema que ele identifica até hoje e que agora ajuda a resolver. Se inscreveu em uma agência de namoro, mas não gostou da forma como foi atendido e como a empresa funcionava, achando tudo aquilo muito amador. Resolveu montar a própria agência, que hoje conta com 12 mil cadastros ativos de gente que conhece pretendentes e marca encontros. Mas o número pode chegar a 20 mil, se contar os que estão meio sumidos, que viajaram ou estão namorando. Cerca de 80% dos cadastros são de mulheres com nível superior e há também muitas pessoas divorciadas, entre outros perfis.


A sua agência matrimonial, chamada Anjo Meu (www.anjomeu.com.br), cobra uma taxa de adesão, que pode ser trimestral, semestral, anual ou VIP. Nesta última, o cliente fica na agência até que o grande sonho de casar se concretize. Para ajudar o cupido a não errar na flechada, o candidato disponibiliza o maior número de informações sobre si e sobre o parceiro que quer encontrar. “Os homens geralmente se ligam mais nos fatores estéticos, na beleza. Já as mulheres são exigentes e detalhistas e se importam mais com os aspectos comportamentais do homem”, analisa Edson, acrescentando que o grau de instrução também é levado em consideração. Há quem determine até a cidade de origem que o pretendente deve ter.


Não existe, segundo Edson, crise financeira que atinja este mercado. “As pessoas nunca vão deixar de se relacionar”, justifica, lembrando que, em Brasília, apesar do bom poder aquisitivo da população, as pessoas são mais sozinhas.

 

Marido de aluguel

[legenda=Foto: Rose Brasil][credito=Foto: Rose Brasil]

Clésio Vieira Machado tem 46 anos e é marido de aluguel há um ano e meio. Atende homens e mulheres solteiros e casados e de todas as idades. Ôpa, mas não é nada disso que você possa estar imaginando. O serviço que ele faz é aquele que muitos maridos modernos não têm tempo para fazer. Trata-se, simplesmente, de serviços gerais, de acabamento, hidráulicos, elétricos e de informática.
Clésio aprendeu o ofício ainda adolescente, com o pai, que era construtor. “Sempre ajudava-o com alguma coisa, enquanto ele saía para resolver pendências. Eu acabava fazendo o trabalho todo”, comenta, sorrindo. “Mas não imaginava que um dia viria a trabalhar com isso”.


A ideia de virar marido de aluguel surgiu quando seu cunhado comentou sobre a existência da profissão em outros estados. Clésio achou a proposta interessante e, como não tinha visto nada parecido em Brasília, poderia ser uma boa opção de trabalho. No entanto, foi a esposa quem mais insistiu para que desse início à empreitada.


Clésio tem hoje anúncios na internet e página no Orkut, além de cartões que sempre deixa nos lugares aonde vai. Isso já lhe rendeu boas histórias. O marido de uma cliente achou o cartão no criado-mudo, no qual leu “marido de aluguel”. “Ele ficou tão furioso que nem viu o restante do cartão e me ligou na hora, dizendo: ‘Que história é essa de deixar um cartão de marido de aluguel com a minha esposa? Você é mesmo cara-de-pau!’ E eu, calmamente, respondi: ‘é isso mesmo. Mas o senhor quer fazer a gentileza de ler o restante?’ Ele desligou na minha cara e, depois de uma hora, me retornou, pedindo desculpas”, conta.


Pelo telefone, Clésio admite que já recebeu algumas investidas, mas nunca soube se a pessoa estava falando sério ou apenas brincando. “Por isso, eu não coloco o telefone da minha casa”, diz, prevenido.

 

Modelo vivo

[legenda=Carlos Wolfgram é pago para posar nu em aulas de desenho][credito=Foto: Dênio Simões]

No meio artístico, a profissão é super natural, mas há quem estranhe, ou nem saiba da existência dessa ocupação. O modelo vivo é a pessoa paga para posar em aulas de desenho. O trabalho é feito sem roupas; afinal, quem vai desenhar deve justamente captar todas as formas e nuances do corpo humano, considerado o tema mais representado na história da arte. “Mesmo hoje, com a arte contemporânea e a temática mais ampliada, o corpo continua sempre presente”, analisa Carlos Wolfgram, 39 anos, professor de desenho e escultura da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes e modelo vivo.


O brasiliense já trabalhou em diferentes profissões e, até os 30 anos, fazia arte de forma despretensiosa e sem fundamentação teórica. Então, fez vestibular e entrou para o curso de artes plásticas na Universidade de Brasília. No curso, é comum que muitos alunos trabalhem como modelos vivos. “Quando não é um ambiente de artes visuais, as pessoas estranham, dependendo do histórico de cada um, da idade ou até da religião”, observa o professor.


As reações são as mais variadas. “Tem gente que sai da sala ou que não desenha o órgão sexual. Há aqueles que nem conseguem olhar e existem os que ficam fazendo piadas, sem jeito com a situação”, revela. Ele lembra que esta profissão não pode ser exercida por pessoas tímidas e, felizmente, nunca teve problemas nesse sentido.


O modelo vivo ganha cerca de R$ 40 a hora. O dinheiro é pago geralmente após a sessão e não há um contrato formal de trabalho. A tarefa não é exatamente fácil. Dependendo do que se quer captar, o modelo precisa ficar parado, praticamente imóvel, por até três horas seguidas. Pode ter ainda que se mover a cada três segundos. Quando é para escultura, o tempo de permanência geralmente é maior.


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