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BEATRIZ DE OLIVEIRA
moda@jornaldacomunidade.com.br Redação Comunidade VIP
Quem já foi à Feira da Lua de Goiânia? Ela é antiga e famosa, mas a primeira coisa a ser esclarecida é que ela não tem nada a ver com a Feira da Lua de Brasília, que tem até marca registrada aqui, pela Lua Cheia Produções.
“Há muitos anos, ia bastante a Goiânia e passava horas na feira de lá. Sempre trazia novidades, principalmente para minha sobrinha. Fiquei com a ideia na cabeça de que tinha de fazer uma feira aqui também. Claro que o formato passou por muitas adaptações, mas o ponto de partida deu-se lá”, fala uma das sócias da produtora, Ana Carla Scalon.
Enquanto isso, sua irmã, Ana Cristina Alvarenga, que logo se tornaria sua sócia, tinha um café no edifício Central Park. O espaço gastronômico também servia para expor o trabalho de novos artistas plásticos e artesãos. Em pouco tempo, devido à demanda, começaram a ser realizados pequenos eventos em frente ao café, na parte interna do prédio. Não demorou muito para que o evento precisasse ser ainda maior.
Juntando os dois fatores, Ana Cristina e Ana Carla, em 2001, realizaram a primeira Feira da Lua. O local escolhido foi o Gilberto Salomão. Itinerante, algumas edições passaram a ser realizadas no Península Shopping, no Centro de Convenções e em Águas Claras, sempre aos sábados e domingos, de dois a três finais de semana por mês.
Como a entrada é gratuita e ninguém parece resistir a uma feira, o evento tornou-se um passeio de fim de semana e ponto de encontro de amigos. São aproximadamente 7 mil circulantes a cada edição, número que chega a 10 mil quando realizado no Centro de Convenções.
“A Feira da Lua é um programa de entretenimento. Oferecemos oficinas de artesanato e temos o cantinho gastronômico, além da enorme diversidade de produtos de moda e decoração oferecidos”, avalia Ana Cristina.
São 120 expositores locais e de diferentes cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Goiânia e Rio Grande do Sul. Desses, aproximadamente 40% são de artesãos, garantindo que lá é possível encontrar produtos diferenciados, exclusivos e com bom preço. As fotos retratam alguns exemplos de diversidade.
Planejamento estratégico
Apesar de as feiras serem conhecidas pelo bom preço, há quem evite esses espaços para comprar artigos do vestuário, alegando a preferência por centros comerciais tradicionalmente mais confortáveis. Para rebater essa ideia, os anos de experiência lidando com o exigente público da cidade, incluindo as várias famílias de embaixadores que moram aqui, fazem com que adaptações e aperfeiçoamentos sejam feitos a cada edição.
“Cada expositor monta o seu espaço pretendendo oferecer o que há de melhor para seus clientes. Eles colocam um tapete, um pufe, um provador de cor clara e oferecem pequenas guloseimas, como balas. As araras são todas cromadas e os cabides transparentes”, esclarece Ana Cristina.
Entre outras padronizações realizadas na programação visual do espaço, destaca-se o fim do uso de banners. Antes, cada expositor tinha o seu, para identificar o espaço em que atuava; hoje, a sinalização é mais discreta e funcional.
O melhor é que as centenas de banners sem uso foram transformadas, pelas mãos dos artesãos do Paranoart, em bolsas ecologicamente corretas. As eco bags serão distribuídas durante as próximas edições da feira, gratuitamente, para todos os visitantes que passarem no estande sustentável do evento. O projeto é assinado pela ONG Reciclan e utiliza, com muita criatividade, entre outros materiais, garrafas pet, resíduos de concreto, rolinhos de papel higiênico, caixas de papelão e pneus.
Dentro da lei
“Não permito que nenhum expositor venda produtos falsificados e todos devem ter registro de artesão ou empresa. O Governo tem os impostos recolhidos, como pede a lei. E, no caso dos expositores que vêm de outras cidades, eles pagam imposto sobre 100% do que eles trazem, mesmo que nem tudo seja vendido. No começo, éramos bombardeados pela Fecomercio, mas sei que faço tudo dentro da lei, gerando centenas de empregos a cada edição”, afirma Ana Cristina.
Ainda, segundo Cristina, a nota fiscal sempre foi oferecida por todos os feirantes. E, agora, os compradores também poderão exigir a nota com CPF. Depende dos clientes ajudar nessa fiscalização e exigir, sempre, a nota fiscal.
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