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Companheiro de todas as horas

Fontes de entretenimento e cultura, os livros são capazes de transportar seus leitores a mundos inimagináveis e não sucumbem nem mesmo diante do avanço tecnológico

Tamanho da Fonte     CLÁUDIA ALVES
calves@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Comunidade VIP

[legenda=Asta-Rose: predileção pelas obras relacionadas à música sinfônica][credito=Foto: Dinah Feitoza]A leitura é fundamental para o desenvolvimento intelectual do ser humano. Quem corrobora esta opinião é a produtora de ópera Asta-Rose Jordan Alcaide, que tem uma biblioteca particular com inúmeras publicações. “Interesso-me, particularmente, por obras relacionadas à música sinfônica”, revela a produtora.


Asta-Rose incursionou precocemente pelo vasto mundo das obras literárias. “Antes mesmo de entrar na escola, eu sabia o alfabeto e lia algumas palavras”, conta. “Quando comecei os estudos no colégio alemão de Joinville, em Santa Catarina, eu já tinha uma coleção de livros infantis, próprios para a idade. Fui alfabetizada em alemão”, orgulha-se. O exemplo vem também de berço. “Meus pais eram pessoas muito cultas, educadas nas tradições europeias”, destaca.


Conhecedora de seis línguas – português, alemão, francês, inglês, espanhol e italiano – a produtora conta que, antigamente, costumava ler, principalmente, best-sellers e publicações de moda. “Hoje em dia, leio muito menos esse tipo de obra, porque não tenho tempo. Agora, me ocupo mais com as biografias e livros técnicos sobre música, regência e tudo o que tem a ver com o gênero clássico”, enfatiza.


Somente no Distrito Federal, Asta-Rose já produziu 18 óperas. “Eu e a professora Norma Silvestre fomos as responsáveis pela criação das primeiras óperas no Teatro Nacional. Também fui fundadora da Associação Ópera Brasília”, conta a produtora, que já produziu espetáculos no Brasil e no exterior.
Para ela, o fato de possuir uma biblioteca particular é um verdadeiro privilégio. “Como tenho um vasto material em minha casa, posso me dar ao luxo de ler vários autores. Acredito que não teria interesse na vida se eu não tivesse toda a informação que tenho, devido ao convívio com os livros”, declara Asta-Rose. “Mesmo com as tarefas do dia-a-dia, leio diariamente. A leitura de um exemplar, muitas vezes, leva à leitura de outros, para a completa compreensão de seu conteúdo, e acaba por despertar a curiosidade por determinados assuntos”, conclui.


Açougue cultural

O empresário e agitador cultural Luiz Amorim é apaixonado pela leitura e um grande incentivador de sua prática. “Gosto de estimular as pessoas a ler”, destaca. Luiz foi alfabetizado somente aos 16 anos. Leu o primeiro livro, uma obra de filosofia, aos 18. O gosto pelo gênero foi imediato. “O conteúdo filosófico era o que mais me atraía e foi o que me fez entrar nesse mundo da literatura”, comenta.


Luiz Amorim é o fundador do Açougue Cultural T-Bone, em Brasília. Além de poder comprar variados tipos de carne, o público dispõe, ainda, de uma biblioteca, na qual pode pegar qualquer livro emprestado. “Não temos como meta resolver a vida literária de ninguém, mas é uma espécie de ‘provocação’, a fim de tornar os livros mais acessíveis às pessoas”, explica. As obras são adquiridas por meio de doações da própria população.


O empreendimento também promove o projeto Parada Cultural – Biblioteca Popular 24 horas, que funciona em 36 pontos de ônibus da Asa Norte e Asa Sul. A iniciativa tem o apoio dos usuários do transporte coletivo – que também ajudam na preservação do acervo – além de instituições como a Petrobras, embaixadas da Espanha e Austrália, Unesco e Administração de Brasília. Os empréstimos de livros são feitos sem a exigência de documentos ou preenchimento de cadastros.


Estimulados desde a infância

 

[legenda=Matheus Amaral: sua paixão pela leitura começou ao ler uma obra da série Deltora Quest, de Emily Rodda][credito=Foto: Rose Brasil]Um exemplo de pessoa que foi estimulada a ler desde criança é o estudante Matheus Amaral, 15 anos. “Quando fiz a primeira comunhão, ganhei de presente, de uma prima, um livro da série Deltora Quest, da escritora australiana Emily Rodda. Posso dizer que foi neste momento que começou minha paixão pela leitura”, conta o estudante, que lê, em média, 12 livros por mês. Além disso, costuma se debruçar na leitura de até quatro livros ao mesmo tempo.


Ficção científica e fantasias estão entre os seus gêneros favoritos. “No momento, estou lendo Percy Jackson e os Olimpianos, série de livros juvenis de Rick Riordan, composta pelas obras A maldição do Titã, O mar de monstros e O ladrão de raios”, comenta Matheus, que aguarda ansioso o lançamento do quarto livro. “Meu autor preferido é o Eoin Colfer”, conclui.

Páginas de conhecimento

Outra amante da literatura é a advogada Vera Lúcia Fonseca. “Desde criança, quando aprendi a ler, todo tipo de leitura me interessava. Tive ótimos professores que também gostavam e tinham a atividade como hobby; sempre conversávamos e trocávamos ideias sobre o assunto”, lembra a advogada. “Costumo dizer que, quando não tenho nenhum livro à disposição, leio até bula de remédio. “Estudei em colégio de freiras e fui habituada a ler cinco exemplares por mês; hoje em dia, esse número é muito superior”, pontua.


Companheiro mudo

Para o escritor José Peixoto, a leitura é essencial para se desenvolver bem atividades que exijam cultura, além de permitir que se esteja atualizado acerca dos acontecimentos. “Incentivar o gosto pelos livros desde cedo é importante, porque cria na criança o bom hábito da leitura. Quem lê, aprende”, afirma, acrescentando que se trata também de algo prazeroso. “Quando o indivíduo lê com frequência, é porque gosta e, quando fazemos algo que nos dá satisfação, é sempre muito bom”, resume.


De acordo com o escritor, a convivência com os livros garante momentos muito particulares, que devem ser experimentados constantemente. “O livro é um companheiro mudo, mas, na mudez, ele diz muita coisa e transmite várias mensagens”, filosofa.


“Um país sem livros é um deserto”

[legenda=Luiz Alencar: “O livro é um bem cultural que se integra à vida de todos”][credito=Foto: Mary Leal]

Para o presidente da Associação Nacional de Escritores (ANE), Luiz Carlos Fontes de Alencar, quem não sabe ler não conhece a vida. “Um país sem livros é um deserto. O livro é um bem cultural que se integra à vida de todos. Quando eu falo em livros, não estou me referindo apenas aos grandes mestres e filósofos, mas também às publicações do dia-a-dia, como as obras didáticas, as de autoajuda, os grandes clássicos literários e leituras em geral”, diz o presidente. “A leitura influencia na formação do indivíduo, sem sombra de dúvidas. Homem algum é uma ilha”, afirma.


Luiz Alencar acredita que se a pessoa não tem cultura e nem conhecimento, acaba por vagar na vida sem rumo. “Eu sou eu mais as minhas circunstâncias”, diz ele, citando José Ortega y Gasset. Quando questionado se o livro vem perdendo seu espaço ou desaparecerá com o tempo por conta das novas tecnologias e da internet, o presidente da ANE é categórico, ao dizer que isto não ocorrerá jamais.

Segundo ele, o livro é muito mais prático e tem suas características particulares. “Não há incompatibilidade entre os dois meios de leitura; há, sim, um progresso. Ninguém pense que a web vai dispensar o livro. Você pode colocá-lo embaixo do braço e levá-lo para inúmeros lugares. O notebook ou netbook também permite essas possibilidades, porém com tempo limitado à carga da bateria”, compara.


A internet é mais uma ferramenta cultural, salvo algumas dificuldades, porque a rede recebe todo tipo de informação e, assim, muita coisa não é aproveitada, na avaliação do presidente. “O usuário da web precisa ter visão crítica, para desenvolver a capacidade de discernir o conteúdo apresentado”, observa.


Para finalizar, Luiz cita um trecho de Castro Alves, ao enaltecer as pessoas que promovem e estimulam a leitura: “Ó! Bendito o que semeia livros... livros à mão cheia e manda o povo pensar! O livro caindo n’alma é germe – que faz a palma, é chuva – que faz o mar”.


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