Tamanho da Fonte Redação Comunidade VIP
A prestigiada dermatologista Ligia Kogos definitivamente não faz o estilo padrão dos médicos em geral. Ela foge dos jalecos brancos e recusa chamar seus clientes de pacientes. Conhecida como “rainha do botox”, a especialista transporta a febre pelo procedimento a todos os funcionários da sua clínica, incluindo o manobrista. Em entrevista ao Comunidade VIP, Ligia Kogos relata detalhes sobre o uso e a importância da toxina botulínica em tratamentos estéticos e de saúde, defende a busca pela beleza em prol da autoestima e, por último, deixa uma mensagem de incentivo às mulheres.
Como surgiu o título de “rainha do botox”?
Isso é gentileza da mídia. Ocorre que o Brasil é o segundo país do mundo em aplicação de toxina botulínica, conhecida como botox (nome comercial). E a Clínica Ligia Kogos e Dermatologia é a empresa da América Latina que mais faz aplicação da toxina. A constatação foi feita por um comunicado da própria empresa que produz o medicamento, a Allergan.
Os dermatologistas brasileiros estão devidamente atualizados quanto aos crescentes avanços e diversidade no uso do botox?
Principalmente nos últimos 15 anos, houve uma grande evolução no uso do botox em todo o país. Ficou constatado o quanto os dermatologistas brasileiros são preparados e atualizados nas áreas de dermatologia cosmética e cosmiátrica – voltada à preservação da aparência jovem. Além disso, temos um congresso anual promovido pela Allergan, que reúne os maiores especialistas em aplicação de botox. Nessas ocasiões, aproveitamos para trocar experiências, a fim de verificar o que funciona ou não. Esses encontros contribuem para o avanço nesse setor.
Quais as finalidades do uso da toxina botulínica?
No começo, era usada principalmente para diminuir a movimentação do músculo da testa e da lateral dos olhos. Agora, é utilizada para fazer um verdadeiro lifting na face. Entre os novos usos do botox, destacam-se o levantamento dos cantos da boca e combate à transpiração excessiva, além de beneficiar outras áreas da medicina, como urologia e ginecologia.
Os produtos da linha de cosméticos Ligia Kogos são fabricados de acordo com as necessidades dos clientes?
Não. Existe uma separação entre a clínica e os cosméticos Ligia Kogos. Os produtos são de uma linha cosmética na qual eu sugiro as fórmulas e uma empresa é responsável por produzi-las. Essas formulações foram desenvolvidas no dia-a-dia do consultório e transformaram-se em grande sucesso de público. Passamos a fabricar os produtos que se adaptavam a um grande número de pessoas e que não ofereciam riscos. Esses itens tornaram-se acessíveis a pessoas que nunca se consultaram comigo ou a um outro dermatologista, mas queriam fazer uso de um cosmético eficaz.
Em sua clínica, todos os funcionários se submeteram à aplicação de botox, inclusive o manobrista. Até que ponto a boa aparência pode influenciar positivamente na vida das pessoas?
A beleza por muito tempo foi considerada uma futilidade e até associada de forma negativa ao caráter. Havia uma certa perseguição intelectual contra a beleza que, na realidade, é um aspecto da saúde, mais um indicativo de que o organismo funciona bem. Não me refiro a essa beleza que escraviza e faz com que as pessoas queiram ser iguais umas às outras. Falo da beleza que vem da boa saúde física, dos bons hábitos e que transmite um pouco da personalidade de alguém.
A beleza pode refletir aspectos da personalidade?
De certa forma, somos um pouco do que aparentamos. A maneira de um homem usar um cabelo ou de se preocupar com a pele reflete um pouco a sua característica pessoal. E, com o avanço da medicina, as pessoas sentem necessidade de usufruir a vida com qualidade e com uma aparência que corresponda a isto. Hoje, as mulheres estão tendo seu primeiro filho bem mais tarde do que antes. E elas precisam estar bem para esperar essa criança, assim como ir à escola para buscar o filho sem se sentir diferente das moças que tiveram sua prole aos 20 anos. É claro que não vamos transformar as pessoas em monstros de juventude eterna, mas podemos proporcionar uma aparência que forneça segurança suficiente para se enfrentar colegas de trabalho 30 ou 40 anos mais jovens.
A medicina se apoderou da beleza?
A beleza deixou de ser um assunto leigo, misterioso, cochichado nos balcões de perfumaria ou passado apenas de mãe para filha. É algo preciso e deve ser seguro, de forma a oferecer uma melhor aparência sem arriscar a saúde. Contudo, não pode se tornar uma obsessão, pois existem valores que não se deve perder de vista, como o trabalho, a dignidade, a honestidade e a família. Esses fatores, naturalmente, temos como prioridade em nossas vidas, mas se pudermos ter algo mais, como um vestido bonito ou uma pele bem-tratada, nos sentiremos mais confiantes.
O fato de ser uma dermatologista de celebridades torna maior a sua responsabilidade?
É claro que as celebridades chamam atenção, pois é nelas que muitas pessoas se espelham. Os famosos, sim, têm muitas responsabilidades, pois, quando cometem algum desatino, se entregam a um vício ou dão escândalos, carregam a pecha de levarem consigo uma legião de outras pessoas que os têm como modelos. Quanto à responsabilidade de nós, dermatologistas, devemos atender da mesma forma tanto os famosos quanto as pessoas comuns, pois estas também se tornam “celebridades” a partir do momento em que entram no consultório. Na hora da consulta, todas as atenções se voltam ao cliente, seja ele quem for.
Uma mulher jamais deve dizer a sua idade?
É claro que cada uma tem a sua maneira de viver, mas acho que as mulheres deveriam considerar a hipótese de não divulgar muitos dados pessoais, como a quantidade de mililitros de silicone que puseram nos seios ou a sua idade. Os homens sentem-se atraídos, quando há um certo mistério em torno delas. Há, ainda, outros fatores envolvidos. Eu lembro que, quando me formei, não falava a idade, porque ser jovem demais também não era muito interessante para um médico. Além disso, acho que a idade pode estigmatizar as pessoas. Alguém que revele ter 65 anos, por exemplo, talvez seja considerado pelos outros como “desatualizado”. Considero que todos, independentemente de quem seja, têm direito de melhorar a aparência. Por isso, faço questão de não olhar a idade na ficha de nenhum paciente, a não ser que seja necessário para indicar alguma cirurgia, ver algum medicamento ou perguntar sobre qualquer coisa mais técnica. Temos exemplos de mulheres lindas aos 80 anos. Por outro lado, às vezes vemos moças de 20 anos desanimadas e tristes, que precisam ser resgatadas de uma armadilha, uma depressão ou desilusão. Obviamente, não se pode partir para procedimentos desnecessários; não há necessidade de se aplicar botox em uma mocinha de 17 anos, a não ser que seja para atenuar a transpiração excessiva ou corrigir uma assimetria no rosto.
Gostaria que deixasse uma mensagem em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.
As mulheres brasileiras se apoiam muito na aparência para agradar as pessoas. O engraçado é que vemos isso tanto na moça mais simples quanto numa ministra importante ou numa juíza. Eu costumo dizer que a mulher preocupada com a aparência normalmente tem uma índole boa. Não é egoísta, porque quer agradar. Ela tem uma certa humildade de não se achar tão bonita assim. E deseja melhorar. Trata-se de uma característica de meiguice, de amor que a mulher quer demonstrar. E não falo apenas do amor romântico ou sensual. As vovós querem parecer bonitas aos seus netos, assim como as professoras querem parecer bem para os seus alunos. As mulheres carregam em si, no seu corpo delicado, essa missão de encantar, de consolar com a beleza. Uma moça bonita tem a obrigação de chegar em uma festa de família e encantar as pessoas. Ela não pode ser malcriada, arrogante e entediada, mas emprestar sua beleza àqueles que momentaneamente estão perto dela. Quando ela recebe o cumprimento de um rapaz, ela nunca pode responder com uma grosseria, a não ser que seja uma obscenidade. Mas nunca um cumprimento deve ser rechaçado com um gesto brusco. A beleza é consolo, capaz de tornar a vida dos outros melhor.
Colaborou a estagiária Karine Sousa
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