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Neste domingo, 33 pilotos estarão nas ruas para a etapa de São Paulo da Fórmula Indy. Entre eles, o brasiliense Vitor Meira. Aos 32 anos, o piloto tem um currículo extenso: foi campeão brasileiro de kart em 1994; Campeão de inverno da Fórmula Ford; Campeão sulamericano de Fórmula 3 e vice-campeão nas 500 milhas de Indianápolis. Em 2006, conseguiu a quinta colocação no campeonato da Fórmula Indy. Agora, Vitor volta com tudo, após um acidente que sofreu em maio de 2009, e que o deixou fora da temporada. O ano para ele promete e começa no Brasil, com uma homenagem à Brasília, que completa 50 anos no próximo dia 21 de abril. Durante sua passagem pela capital antes da corrida, Meira falou sobre sua carreira e suas expectativas ao Comunidade VIP.
Como surgiu o seu interesse pelo automobilismo?
Eu tinha pedido um daqueles minibugs para o meu pai. Ele falou: “beleza, eu te dou. Mas antes quero te mostrar uma coisa”. E me levou para o kartódromo onde pediu para escolher entre os dois. Aí escolhi o kart e tudo começou a partir daí. Eu sempre gostei de carro. Todo menino gosta um pouco. Do mesmo jeito que a mulher vai gostar de ter uma boneca, uma roupa especial, o homem vai gostar de bicicleta e de carro. Eu não vi o kart e pensei: é isso que eu vou fazer da minha vida! Menino não faz isso. Sempre é brincadeira, até mesmo no futebol.
E quando a brincadeira começou a ficar séria?
Quando eu tive que começar a abrir mão de um monte de coisas. Isso aconteceu mais ou menos em 1994. Eu tinha 17 anos e foi uma decisão conjunta com a família. Então priorizei o esporte.
Você foi campeão brasileiro de kart em 1994, mesmo ano do acidente fatal do Ayrton Senna. Ele foi seu ídolo?
Ele é o ídolo de todo mundo. Tem coisas na vida que você lembra e que ficam marcadas. Eu estava assistindo à corrida em Florianópolis, no Sulamericano de kart, ao lado do Nelson Piquet, quando ele bateu. Eu achei que ele só sairia da corrida, até porque o Piquet tinha batido nessa mesma curva. Quando eu vi que o Piquet estava assustado, me assustei também. Não cheguei a conhecer o Senna, e isso era uma das coisas que eu gostaria de ter feito.
Em 1995 você seguiu para a Fórmula Ford e para a Fórmula Renault, na Europa. Correr por lá foi tudo aquilo que você esperava?
Quando você está no Brasil correndo de kart você vê a Van Diemen, que é uma fábrica de Fórmula Ford e vários outros carros de corrida utilizados por Senna e Proust, e aquilo é quase uma fantasia. Aquele lugar é um mito, e quando você chega lá é aquela coisa menor do que você imaginava. A experiência é legal para mostrar que todo mundo é igual. Não há super-herói, o que difere é o trabalho. A gente fica pensando no automobilismo europeu, mas é a mesma coisa. Você sai do kart para a Fórmula 1, e é a mesma coisa, o que muda é a remuneração.
Você voltou ao Brasil para competir na F3 Sulamericana e consagrou-se campeão. Esse período na Europa foi de grande aprendizado?
Eu aprendi muito porque treinava muito, ficava muito tempo dentro do carro, o que hoje no automobilismo é uma coisa difícil de se fazer, pelo custo e por uma série de coisas. Então aprendi muito não só a guiar, mas a trabalhar em equipe e a melhorar o carro. Na Europa eu aprendi o que é a corrida, o que é a fábrica de automobilismo. Aqui no Brasil o negócio é mais interno.
Como é sua rotina de treinamento?
Na Fórmula 1 estão até cancelando treinos para reduzir custos. Este ano só treinei por quatro dias, então a rotina de treino não chega nem a ser pesada. O que tem que fazer é tentar melhorar. Treinamos em simuladores profissionais e me esforço ao máximo no simulador.
Em 2001 você foi pra Fórmula 3.000, que era a porta de entrada para a F1. Por que não deu certo?
Na época para ir para a F1, se você não ganhasse no primeiro ano, era importante ganhar no segundo. Outra maneira de chegar lá é tendo influência, dinheiro, o que não era o meu caso. No primeiro ano cheguei em quarto lugar, daí muita gente começou a falar. Fui para o segundo ano bem encorajado para as oito corridas. Quebrei três vezes nas quatro primeiras e pensei: já era. Tentei então os Estados Unidos, que era minha última chance, porque eu já estava com vinte e poucos anos. Se não desse certo lá, eu teria que dar um jeito na minha vida.
Era um sonho correr na Fórmula 1? Você desistiu desse sonho?
Não desisti, mas meu horizonte que estava focado, se abriu. Aí comecei a ver Stock Car e a Indy. Como ainda tinha metade do campeonato para acabar na F3000, eu tinha metade do orçamento. Parei ali e peguei metade desse orçamento e fui para os Estados Unidos. Muita gente me reconheceu e acabei fazendo testes em outra equipe e me contrataram. Foi assim que entrei na Indy.
Você chegou duas vezes em segundo lugar nas 500 milhas de Indianápolis. O que falta para sua primeira vitória na Fórmula Indy?
É fácil dizer que a culpa é da equipe, e pode até ser verdade, mas não vou fazer isso com as equipes que me deram chance. Então, não sei. Talvez porque o trabalho do piloto não é ganhar, mas tirar o máximo do carro. Se o carro tirar x, você tem que tirar x. Se esse x em velocidade significa quinto ou último, vai depender do trabalho que você faz com o carro. Eu sei que o que falta é pouco, porque não foi uma vez só. Foram duas vezes em segundo. Eu não acho que falta muito então.
O ano de 2007 foi ruim para você e em 2009 você sofreu um acidente que te deixou fora da temporada. Esse foi o pior momento da sua carreira?
Com certeza. Mas o pior momento dessa fase é você achar que está bem, e a sua parte óssea não está sólida, ainda está se fixando. Você acha que pode, mas os médicos dizem que você não pode voltar a correr. E no fundo você sabe que não pode. Fiquei apreensivo no começo, mas agora estou 100%.
Voltar numa etapa da Indy no Brasil é muita responsabilidade?
Vai ser um pouco diferente porque é muita coisa junta. Minha última corrida foi em maio do ano passado, além disso é a primeira vez que corro em categoria top aqui no Brasil, em uma pista de rua e com pouquíssimo treino.
É verdade que você vai fazer uma homenagem aos 50 anos de Brasília?
Eu tento de uma forma ou de outra incluir no meu sucesso ou na minha derrota, Brasília. Então alguma coisa de Brasília tem.
A ideia é sua?
Sim. Se eu estivesse morado aqui o tempo inteiro, acho que não teria isso. Mas como fui com 17 anos para a Europa, senti muita saudade de casa e a gente acaba valorizando a cidade.
Qual sua aposta para a corrida de domingo?
A prova aqui no Brasil beneficia as equipes com menos estrutura, porque ninguém nunca viu a pista, e ela muda muito durante o fim de semana. Você vai limpando, vai ‘emborrachando’, grudando mais. Portanto, é uma pista de rua bem atípica, com retas muito longas. Tenho certeza que os carros da Penske Racing e da Chip Ganassi vão estar disputando, mas acho que teremos uma ou duas surpresas. Tem que ter um brasileiro no pódio, pelo amor de Deus! (risos).
Você se imagina fazendo outra coisa hoje?
Não. Estou com 32 anos, e ainda tenho muito chão pela frente, mas minha prioridade sempre vai ser o automobilismo.
Colaborou a estagiária Lorrane Melo
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