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O perfil dos cardíacos no DF

O projeto Coorte Brasília reúne médicos e estudantes da UnB para desvendar a realidade dos problemas cardiovasculares no Distrito Federal. Para especialistas, o diagnóstico precoce é a melhor arma para tratar as doenças que acometem o coração

Tamanho da Fonte      Redação Comunidade VIP

Estudantes de medicina da Universidade de Brasília (UnB) e especialistas em doenças cardíacas se empenham há quatro anos em aprofundar as pesquisas nos tratamentos mais eficazes para debelar patologias do sistema cardiocirculatório. O Coorte Brasília, como é conhecido o trabalho, foi idealizado pelo cardiologista e professor da UnB Andrei Spósito e conta, hoje, com a participação de quase 30 colaboradores, entre médicos e estagiários. Por enquanto, os estudos procuram desvendar os mistérios do ataque cardíaco ou infarto do miocárdio e traçar um perfil das pessoas que sofrem desse mal no DF.


O projeto é uma parceria da UnB com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal e beneficia pacientes atendidos no Hospital de Base de Brasília (HBB). Cada indivíduo é acompanhado pelo período de dois anos pelos profissionais. Hoje, o grupo estuda 370 pessoas com quadro de infarto. Mesmo tendo parcerias com órgãos de saúde, os colaboradores do projeto são voluntários e não recebem incentivos da iniciativa privada e nem mesmo dos governos estadual e federal. Além dos alunos, o grupo conta com cardiologistas, radiologistas, psicólogos e nutricionistas.


Segundo Osório Rangel, cardiologista do HBB e um dos integrantes da equipe do Coorte Brasília, o infarto do miocárdio é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. “Dos pacientes estudados que apresentam infarto, cerca de 40% não chegam ao hospital”, alerta. O DF ainda não é um dos campeões a apresentar a doença, mas, em quatro anos, o estudo conseguiu identificar facilmente o aumento no número de indivíduos que pertencem aos grupos de risco.


Cuide do seu coração

A seguir, veja os dez mandamentos para um coração saudável:

1 – Não fume - 40% dos pacientes analisados pelo Coorte Brasília são fumantes.


2 – Adote uma alimentação saudável - reduza a quantidade de gorduras, sal e açúcar, e modere nos carboidratos.


3 – Faça exercícios - pratique algum tipo de atividade durante pelo menos 30 minutos, diariamente.
4 – Controle a pressão arterial - a hipertensão ajuda a desencadear o infarto.


5 – Evite a obesidade - o controle da obesidade previne problemas cardíacos e doenças crônicas, como o diabetes.


6 – Controle o colesterol e a glicemia - os pacientes estudados pelo Coorte não apresentaram colesterol muito elevado. Já em relação à glicose, foi registrada uma média de 138%, mas a meta do grupo é que fique abaixo dos 100%.


7 – Verifique a circunferência abdominal (CA) - em mulheres, a CA é considerada normal até 80 cm; em homens, pode chegar a 90 cm. Caso essas medidas sejam maiores, a pessoa pode desenvolver síndrome metabólica, caracterizada pelo excesso de peso, alteração da taxa de glicose e obesidade abdominal. Dos pacientes do Coorte Brasília, 53% têm a doença.


8 – Evite o estresse - doenças do coração podem ser causadas pelo estresse.


9 – Evite bebidas alcoólicas - segundo o cardiologista Osório Rangel, bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas, podem levar à obesidade.


10 – Siga corretamente as orientações do cardiologista - o estudo Coorte Brasília constatou que 70% dos pacientes da pesquisa com quadro de infarto são do sexo masculino. “Os homens são mais relapsos nos cuidados com a saúde do que as mulheres”, constata Rangel.


Novidades do estudo

 

Uma das descobertas mais importantes do Coorte Brasília diz respeito ao medicamento estatina. Segundo Andrei Spósito, o paciente infartado não pode suspender o uso da substância, como era feito normalmente. O motivo é que a falta do remédio pode aumentar as atividades inflamatórias e levar a complicações.


Em quatro anos de pesquisa, o projeto formou 16 alunos em iniciação científica e foi tese de cinco mestrados e dois doutorados. Além disso, a equipe recebeu o prêmio de melhor trabalho no congresso brasileiro de aterosclerose e a iniciativa foi apresentada em um congresso em Boston, EUA, em 2009. “O DF está sendo representado para todo o mundo. O primeiro passo do avanço do nosso trabalho é a comunidade nos reconhecer como utilidade pública”, afirma Spósito, acrescentando que outra Coorte foi formada com o objetivo de estudar pacientes idosos de 80 a 102 anos.

Tipos de infarto

O cardiologista João Poeys, do Hospital do Coração do Brasil (HCBr), diz que existem basicamente dois tipos de ataque cardíaco. No primeiro, o paciente precisa se submeter imediatamente ao cateterismo, com o objetivo de desobstruir a artéria. No outro, o paciente chega ao hospital com dor e ingere medicamentos para obter a melhora. No segundo caso, também é preciso passar pelo cateterismo, mas o procedimento pode ser realizado de 24 a 48 horas após a entrada no hospital. De acordo com o cardiologista José Sobral Neto, do Incor Taguatinga, outro tipo de infarto muito comum é o silencioso. “Normalmente, o paciente descobre que teve o problema somente quando faz exames de rotina”, pontua.

Colaborou a estagiária Ana Paula Santos


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