Gastronomia

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O cinema e a boa mesa

Na última semana, o Slow Filme - Festival Internacional de Cinema e Alimentação, movimentou a pacata Pirenópolis. Um dos destaques do evento foram pratos criados por chefs de cozinha da cidade goiana

Tamanho da Fonte     Diana Leiko
dmiura@jornaldacomunidade.com.br
 Redação Comunidade VIP

[legenda=Frango à Tânia Nogueira: prato inspirado em receitas rurais goianas ]Os chefs locais seguiram a linha do Slow Food em harmonia com a proposta do festival, um movimento que levanta a bandeira da importância dos produtos e gêneros locais e da cozinha da terra, como instrumentos contra o mundo globalizado e a comida fast food. O Comunidade VIP foi conferir in loco os pratos criados exclusivamente para a primeira edição do Slow Filme, uma realização da Objeto Sim Projetos Culturais e da Prefeitura de Pirenópolis, com patrocínio da Petrobras.


Seguindo os dois principais interesses do Slow Food: as peculiaridades regionais e a segurança alimentar, ambas ligadas ao desenvolvimento sustentável da economia rural, a chef Márcia Pinchemel do restaurante Le Bistrô criou o prato “Frango à Tânia Nogueira”. De acordo com Márcia, a escolha do nome foi em função de Tânia ter sido a primeira associada ao movimento Slow Food no Brasil. “Me inspirei na fazenda goiana, na galinhada, que leva frango, palmito e pequi. Usei o palmito amargo do cerrado. O paladar das pessoas não está habituado com o amargor, que não é um sabor ruim, mas sim uma questão de familiaridade”, diz a chef.  E o resultado foi um prato que leva lascas de peito de frango ao molho de pequi, catulé (palmito amargo) e baru com açafrão da terra, servido com arroz integral vermelho, cubos de banana frita e chips de jiló. “Fiquei quase dois meses experimentando o catulé para chegar a esse resultado”, lembra.


Já o chef Juan Pratginestos, do restaurante Montserrat, se inspirou na cozinha da “nonna”. O prato criado para o festival foi o “Timbale ala Cinnecittà”, um penne ao molho bolonhesa, espinafre em molho bechamel, queijo parmesão e grana padano gratinados em forno. Embora os ingredientes utilizados não sejam regionais, o chef explica que a relação com o Slow Food é o modo de preparo. “O molho de tomate da casa, por exemplo, leva cerca de sete horas para ficar pronto. Primeiro eu aqueço o tomate para tirar a pele, depois cozinho por três horas. Feito isso, separo a polpa e cozinho com cebola e manjericão”, destaca. Juan conta que costuma utilizar os produtos da região, como as carnes e o vinagre de guariroba.


[legenda=Juan Pratginestos: receita para o festival seguindo o estilo Slow Food  ][credito=Fotos: Divulgação]Outro destaque do evento foi a presença da chef de cozinha Teresa Corção, do restaurante Navegador, no Rio de Janeiro. Ela participou de um bate-papo ao final do documentário Seu Bené vai pra Itália, de sua autoria. O filme fala  sobre a vida de Benedito Batista de Silva, 60 anos, lavrador da pequena agricultura familiar, considerado uma referência local quando se fala em produção de farinha de mandioca no Estado do Pará.  Ele foi identificado para o mundo gastronômico através do Projeto Mandioca, que Teresa lidera. “Trabalho com farinha de todos os lugares do Brasil. Explico no cardápio a origem de cada uma delas e executo pratos tradicionais assim como crio novas receitas com a farinha”, relatou.


E para vivenciar a cultura local do Slow Food, a programação incluiu ainda um café da manhã na Fazenda Babilônia em um verdadeiro resgate cultural da culinária local. Os visitantes tiveram acesso a mais de 40 itens, feitos com produtos da própria fazenda. O café rememorou receitas antigas, do Goiás rural e incluiu carnes, queijos, quitandas, além de especialidades como cavaco de queijo (biscoito assado na folha de bananeira), Mané pelado (receita à base da massa de mandioca) e virado de raspa (carne-seca, torresmo e raspa de mandioca assados na folha de bananeira).  Tudo isso acompanhado de sucos de frutas regionais, caldo-de-cana, leite e café.


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