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A causa mais comum para sintomas como cansaço e desânimo é a falta de nutrientes no sangue. “A alimentação balanceada assegura um bom funcionamento intestinal, que garante a produção de serotonina, neurotransmissor conhecido como a substância do bom humor e da felicidade”, explica a nutricionista Carina Tafas. Carboidratos integrais, vitaminas do complexo B, cálcio, zinco, magnésio, inositol, ácido fólico, vitamina D, coenzima Q10 e ferro estão diretamente ligados à sensação de ânimo e disposição.
A ingestão de carboidratos, uma das principais fontes de energia para o corpo, aumenta os níveis de insulina e serotonina. Já o cálcio e o magnésio são alguns dos responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos e contrações musculares. O ferro é fundamental na formação da hemoglobina, que, por sua vez, carrega oxigênio e nutrientes para todas as células do corpo. A falta do mineral pode causar a anemia ferropriva, que acontece quando os órgãos não recebem oxigenação suficiente para trabalharem bem, por falta de hemoglobina no sangue. Sem o oxigênio para transformar os nutrientes em energia, o corpo funciona mais devagar, causando fadiga e mal-estar.
Fome oculta
Algumas dietas radicais, que prometem perda rápida de peso, normalmente privam o organismo de algumas das substâncias principais para manter o ânimo. Assim, pode surgir a chamada síndrome da fome oculta, caracterizada pela ausência de elementos como ferro, vitamina A, iodo e zinco. A doença acontece geralmente em pessoas que comem a quantidade de calorias necessárias por dia, mas não de forma a ingerir todos os grupos alimentares. “Trata-se de um problema que não faz distinção entre classes sociais, idade ou sexo, e que já atinge cerca de um quarto da população mundial”, explica Carina. Patologias mais sérias podem surgir, caso não haja mudança de hábitos, como câncer, osteoporose, hipertensão e problemas cardiovasculares. “Isso ocorre porque os nutrientes que combatem essas doenças não estão presentes no corpo”, resume a nutricionista.
De olho nos sintomas
Segundo a clínica geral Paula Silveira, a obesidade tem forte relação com o desânimo. “Em pessoas obesas, o volume de sangue não é suficiente para irrigar todo o corpo. Por causa disso, os nutrientes não chegam direito aos órgãos e a pessoa se sente cansada”, esclarece.
Baixos níveis de glicose também estão por trás do problema. “Manter a glicemia dentro dos níveis de homeostasia garante energia para o funcionamento das funções vitais do organismo, como batimentos cardíacos, atividade cerebral, visão e respiração. Até para ler um livro, precisamos de energia”, observa Carina Tafas.
Hipotensão e fadiga adrenal
A pressão baixa pode ser responsável pelas tão frequentes reclamações de indisposição e cansaço. Com pouca pressão, o sangue corre mais devagar pelas veias, diminuindo a eficiência do funcionamento do corpo. Outras possíveis razões para os sintomas são problemas cardíacos, doenças autoimunes, hipotireoidismo, infecções ou abuso de álcool e drogas.
As preocupações, tensões, exigências e desafios da vida moderna podem causar a chamada fadiga adrenal. “A glândula suprarrenal tem como função produzir alguns hormônios que nos permitem responder ao estresse imediato (adrenalina) e ao estresse contínuo (cortisol). Perante uma situação estressante muito prolongada, a capacidade funcional da glândula suprarrenal começa a diminuir de uma forma progressiva. Assim, o cansaço e a incapacidade de recuperar forças se instalam”, explica a nutricionista. Em alguns casos, podem acontecer períodos de grande ansiedade e agitação seguidos de desânimo e abatimento. “O tratamento alimentar, nessas situações, consiste em diminuir a produção de cortisol por meio da alimentação antioxidante e anti-inflamatória”, esclarece.
Depressão
Outro tipo de doença relacionada ao desânimo é a síndrome da fadiga crônica. Além de sentir cansaço o tempo todo (que não melhora com o repouso), o paciente apresenta ínguas na garganta, dor de cabeça frequente e dificuldade de concentração. No entanto, ainda não há causas médicas comprovadas para a doença e, por isso, frequentemente se confunde a condição com a depressão. Em alguns casos, a síndrome aparece depois de uma gripe ou
resfriado, e o paciente sente-se como se o corpo ainda estivesse doente. Especialistas recomendam a prática de exercícios para fortalecer o organismo e melhorar a flexibilidade, combinados com remédios anti-inflamatórios e antidepressivos.
Frequentemente confundida com outras patologias, a depressão causa os mesmos sintomas de cansaço, indisposição e desânimo, mas é associada a uma série de outros fatores. “A depressão, quando instalada, tem como características desmotivação, desânimo e falta de energia para as atividades rotineiras, alteração no sono e no apetite, sentimento de culpa e de autodesvalorização. O choro ou a vontade de chorar está muitas vezes presente e o desespero ou ideias suicidas também podem existir”, explica o psicólogo Fábio Augusto Caló. “Sempre que essas alterações comportamentais citadas são observadas em conjunto, a família deve conduzir a pessoa ao psicólogo, pois esse é um profissional tecnicamente preparado para confirmar o diagnóstico e definir a terapêutica adequada a cada situação. Muitas vezes, o encaminhamento para o psiquiatra é feito para que os antidepressivos sejam prescritos como terapêutica adicional”.
Colaborou a estagiária Juliana Contaifer
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