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Mais do que manter um sorriso bonito, os cuidados com os dentes se refletem na saúde de todo o corpo. Afinal, os micro-organismos patogênicos presentes na boca podem ser levados a outros órgãos pela circulação sanguínea. “Ao mesmo tempo, existem bactérias bucais que auxiliam na digestão de carboidratos e até previnem doenças, quando em quantidade ideal”, explica o implantodontista do Instituto Laboissière, Marcos Laboissière Junior.
O também implantodontista Eduardo Nascimento diz que pacientes com o sistema imunológico fragilizado devem ficar ainda mais atentos. “Quem tem alguma doença sistêmica não pode descuidar da boca, que é a porta de entrada”, alerta. A proliferação de bactérias bucais causa a periodontite, doença que compromete os tecidos ao redor da raiz dos dentes. Além disso, a doença periodontal age no organismo de forma silenciosa e é um dos principais agravantes no desenvolvimento de problemas como pneumonia e diabetes. Vale lembrar que o excesso de micro-organismos patogênicos ajuda a baixar a imunidade e a desfavorecer o controle dos níveis glicêmicos.
Problemas cardíacos
Pesquisa realizada pela Fundação Osvaldo Cruz do Rio de Janeiro revela que as chances de as pessoas apresentarem uma doença cardiovascular aumentam em 20% quando sofrem de alguma doença periodontal. O Instituto do Coração, ciente desse risco, tem uma equipe de dentistas para acompanhar os pacientes e garantir que uma infecção na boca não chegue a outros órgãos.
Segundo Nascimento, uma das patologias mais perigosas é a endocardite bacteriana, infecção que acomete as válvulas ou tecidos endoteliais do coração. O dentista explica que, caso haja uma lesão bucal e a região encontrar-se infeccionada, cabe ao profissional cobrir a área com antibióticos, com o intuito de evitar que as bactérias se espalhem e atinjam o coração. A atenção deve ser redobrada no caso de crianças e adultos cardiopatas, pois a ingestão frequente de medicamentos – inclusive de alguns contendo açúcar – estimula o surgimento de cáries e outras infecções nos dentes.
Medidas preventivas
A melhor maneira de prevenir o excesso de bactérias na boca é a assepsia adequada dos dentes, gengivas e língua. “Boa higiene, escova eficiente e pasta de qualidade, com o auxílio correto do fio-dental são fundamentais, somados à visita regular ao dentista”, resume a especialista em próteses e implantodontista Rita Trindade, do Instituto Odontológico Rita Trindade. “Próteses mal adaptadas, dentaduras muito antigas e falta de dentes reduzem a capacidade mastigatória do indivíduo, o que leva à perda de qualidade de vida e outras complicações”, completa.
Eduardo Nascimento, por sua vez, orienta os pacientes a, sempre que possível, realizarem um autoexame, a fim de verificarem possíveis sangramentos e lesões na boca. “Ninguém sangra espontaneamente. Se isto ocorre, possivelmente há uma inflamação associada ou alguma doença. Por exemplo, o diabetes deixa os vasos sanguíneos mais frágeis. Às vezes, o paciente apresenta um sangramento ocasionado pela patologia e nem desconfia”, exemplifica.
Laboissière destaca a existência de antibióticos que podem ser receitados para determinados problemas de infecção bucal, porém, devem ser rigorosamente prescritos pelo dentista.
Colaborou a estagiária Aline Reis
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